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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

We live alone, we die alone. Everything else is just an ilusion. 
Por mais que tente ignorar as minhas dúvidas sobre a inexistência de um sentido para a vida, acabo sempre por ter momentos de lucidez em que me vejo novamente invadida por estes pensamentos sem resposta.
As pessoas que já se tentaram suicidar ou que estão deprimidas são muitas vezes olhadas como doidas, que não estão no seu estado normal. Mas eu olho à volta e vejo tantos motivos para as pessoas, tal como eu, estarem infelizes. Porque é que não o estão? Será que são felizes e conseguem acreditar naquelas mensagens de positividade na internet? Será que se agarram a alguma crença para que as suas vidas façam sentido? Será que algo os prende, mas no fundo desejam morrer? Ou será o próprio medo de morrer? Eu sinceramente não consigo compreender. E se eu sou a tola aqui, então nunca conseguirei ser normal, porque nunca vos vou conseguir compreender. Não que eu tenha pensamentos ativos de me suicidar, mas a vontade de não estar aqui está continuamente presente. Não consigo viver nesta inquietação de não saber se vai ou não valer a pena aguentar-me. Vejo-me constantemente invadida por momentos de tristeza, mas aparentemente estou melhor. Acho que desde que não me tente matar ou cortar, estou bem aos olhos da sociedade. Talvez seja assim que é suposto vivermos, aceitarmos a nossa tristeza. É assim que vives? 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sinto-me sozinha, rodeada de pessoas que pouco ou nada significam para mim. Quem eu queria que gostasse de mim, cada vez parece ter menos interesse na minha pessoa. Já nem me dá vontade de falar a maior parte das vezes. Sinto que falas comigo por obrigação, neste momento. As palavras ternurentas que trocámos, já não me soam sinceras.
Nos últimos dias não tenho andado bem. Olho-me ao espelho e tudo o que sinto é nojo de mim própria. Ando apática, divagando em pensamentos que me incomodam profundamente. Tento distrair-me e resulta, mas mal tenho um segundo a sós comigo própria, sinto-me mal. Se me perguntassem o que se passa, eu mal saberia responder. Simplesmente sei que não estou bem, que me sinto sozinha, que quero um abraço bem apertado.
E eu tento convencer-me que ainda há pessoas que se importam, mas não é isso que sinto. Não que a culpa seja deles, eu afasto-os também através das minhas atitudes. E com o verão a passar, aproxima-se a universidade. Duvido que alguém sentirá a minha falta. Abraço o meu cão. Acho que vais ser o único que vais sentir a minha falta, pequenino. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Friends with beneficts


Somos amigos coloridos (embora publicamente sejamos namorados). O nosso sentimento um pelo outro não passa de amizade, mas os nossos gestos ultrapassam esse sentimento.
Ele não é o conhecido a que vulgarmente se chama de "amigo". Não. Ele é a pessoa em quem eu confio plenamente, o primeiro que me passa pela cabeça quando estou triste, a razão pela qual pego no telemóvel mal acordo, a pessoa que me faz rir,me faz chorar, me abraça, me faz cócegas, me provoca esperando que os meus lábios se dirijam aos seus sob a forma de o calar.. Se algo se passa, ele consegue ler-mo no olhar.
Tenho medo de me apaixonar por ele, até porque ambos concordámos que não iríamos namorar, visto que não era conveniente para nenhum dos dois.
Mas por vezes à noite, penso na nossa despedida. Tenho medo de nos afastarmos demasiado em setembro, tenho medo de estar demasiado envolvida. Acho que não estou apaixonada por ele, e tenho noção que não sou eu a razão de ele não querer investir em algo sério, mas mesmo assim dou por mim a refletir na sorte que as ex-namoradas dele tiveram. Gostava que fosse possível o nosso amor ou que pelo menos pudéssemos dar uma oportunidade, gostava que ele me visse como as viu a elas. Estarei demasiado envolvida? Estarei apaixonada? Eu sei que no fundo para mim uma relação não era o ideal neste momento, visto que ainda estou em fase de recuperação, mas mesmo assim ... parte de mim deseja ouvi-lo dizer "e se déssemos uma oportunidade?"
Não quero falar do assunto com ele, sei que ele iria supor que eu me estava a apaixonar por ele, e iria querer acabar tudo e eu não quero isso. Estes pedacinhos de felicidade com ele é o que está a tornar este verão tão especial, porque ele é a primeira pessoa em quem até pessoalmente sinto uma cumplicidade interior. Além disso, ele iria-se sentir culpado por aparentemente me estar a usar, quando ele sempre foi honesto comigo. Dou por mim momentaneamente revoltada por ele me tratar tão bem, por ele ser, simplesmente, tão fácil de se gostar.
Espero que não nos afastemos em Setembro. Espero encontrar alguém como ele no futuro. Espero que ele encontre melhor que eu. Sobretudo, espero que ele seja feliz.

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terça-feira, 15 de julho de 2014

Á procura de mim

Em noites de solidão,
Sou invadida por pensamentos por mim não desejados.
Pergunto-me se serei a única
Com os sentimentos descontrolados.

Memórias de infância…
As boas? Guardo-as com saudade.
(escondendo porém uma profunda revolta)
As más? Preservo-as contra própria vontade.

Cresci.
Oh adolescência!
Porquê que para mim apenas reservaste
Dor, sofrimento, diferença, decadência?

Diferença? Quem és?
Porque me acompanhas? Porque não me deixas tu?
Talvez sejas o meu fado,
Constantemente me lembrando que sou apenas um ser indesejado.

Não! Estou farta! 
Quero ser feliz!
Quero quebrar esta história que me persegue,
Irei encontrar alguém que a minha alma sossegue!

E após estes breves segundos de determinação,
Vejo me invadida novamente por dúvidas existenciais.
No meu mapa apenas tenho traçado o ponto de partida e de chegada,
Falta-me luz no caminho, falta-me os pontos cardeais.

Volto a mim, desiludida.
Serei eu capaz de encontrar a fórmula da felicidade?
Estarei de facto condenada?
Alguém me dê um sinal de esperança, de vida!

Nada.
Será este silêncio sinónimo do meu trágico fim?
Ou será este silêncio o sinal por mim tão desejado?
Um mundo desconhecido, onde as repostas apenas serão encontradas em mim.

Será felicidade o que sinto ou uma trágica ilusão?
Encontrar-me-ei na presença do sinal ou na sua ausência?
Interiormente a coragem sobrepõe-se ao medo,
Eis a resposta, penso, proveniente da minha essência.


Com um olhar cego, talvez, prossigo
Confiante no futuro próximo que me espera.
O passado, esse já não me define,
Mas a ausência de saber quem o fará, me desespera.

Continuo deitada na minha cama,
Desta vez com lágrimas que me percorrem o rosto.
É a minha última oportunidade,
A última ocasião para encontrar a felicidade.



Oh Lisboa!
Já sinto o teu cheiro, o teu calor.
Não te irei esquecer
Com amor,
Izzie

terça-feira, 27 de maio de 2014

Se pudesses transmitir uma mensagem à tua pessoa daqui a 20 anos, o que dirias?

Fiz este exercício hoje na escola e achei bastante engraçado. Apesar de ter respondido em tom de brincadeira, fez-me pensar sobre aquilo que eu realmente iria querer dizer a mim mesma, aos 38 anos. 

Espero que estejas bem e numa fase bem melhor do que a minha atual. Espero que estes meus pensamentos de adolescente de 18 anos, de que os 12 anos de escola serão os piores da tua vida estejam certos, e senão, que tenhas forças para continuar. Com certeza já perdeste pessoas pelo caminho, espero que consigas lidar melhor com elas e que isso não te impeça de fazer novas amizades, como tem acontecido até agora. Aliás, espero que consigas ter amizades. Com 38 anos gostaria de estar a viver numa cidade grande, a trabalhar num hospital como enfermeira, a viver completamente independente da minha família e quem sabe ter filhos (adoptados). Sei que estes são os meus sonhos de 18 anos, mas que com o tempo tudo pode mudar. Independentemente de atingires estas metas ou não, espero que estejas feliz com o que tens. Que em 20 anos te tenhas aprendido a libertar mais, a gostares mais de ti e principalmente a ignorar o que os outros pensam. Mesmo que sintas que estás muito aquém dos teus projectos, lembra-te que tentaste com toda a tua força atingi-los (sempre fomos muito determinadas, espero que não tenhas estragado isso pelo caminho!) 
Vá fica bem e se te tiveres esquecido, aqui tens algumas pessoas que eu quero que relembres, porque sim, valem a pena relembrar: o Caramelo, a tua psicóloga e a enfermeira do Magalhães Lemos.

sábado, 19 de abril de 2014

A minha Páscoa

Hoje fui à Igreja confessar-me. Não fui por vontade própria obviamente, fui por causa da minha mãe: nunca tive coragem de lhe contar que sou agnóstica, por um lado para evitar confusões, por outro porque tenho medo da reacção dela. Muitas vezes penso também, que pode haver alguma altura em que me sinta mais em baixo e que os meus pensamentos suicidas passem de apenas pensamentos a acções e ao menos assim vou poupá-la de mais um desgosto. No fundo acho que ela desconfia que eu não sou católica pelas minhas acções, mas  continua a ignorar isso, nunca me pergunta e eu também não sou capaz de tocar no assunto e acho que ela também tem esperança que eu ainda acredite em Deus, que me arrependa do que fiz e que volte para o "caminho de Deus".
Na Igreja havia 2 padres: um estava no confessionário e o outro estava ao fundo da Igreja. A minha mãe foi ao segundo e como ela falou relativamente alto, eu ouvi partes. A minha mãe falou de mim quase a chorar a falar das minhas tentativas de suicídio, a dizer que não sabia o que fazer, que eu até andava a ser acompanhada por um psiquiatra. No fundo acho que a minha mãe gosta de mim (pelo menos da minha imagem de criança) e sei que ela se sente extremamente culpada, como se tivesse falhado na minha educação uma vez que o suicídio é um pecado e então ela não me conseguiu levar ao encontro de Deus. A verdade é que me senti extremamente mal lá dentro.
Depois chegou a minha vez e falei com o padre que se encontrava dentro do confessionário. Disse-lhe que não era crente e ele até foi simpático. Aceitou bem o que eu disse e falámos um bocado para passar o tempo. Falou-me bastante de Jesus (talvez achasse que eu acreditaria em Jesus ou lhe daria alguma importância). Elogiou -o bastante, contou várias histórias onde a sua bondade era evidente e depois do que eu tinha ouvido da minha mãe eu só pensava "Jesus (ou a imagem dele) foi uma boa pessoa em muitos aspectos, mas caramba eu também tenho virtudes mas aos olhos da minha família vou ser sempre condenada, nunca vou ser aceite". Foram estes pensamentos que no 10.º ano me fizeram querer afastar da Igreja e pensar que mesmo que algum Deus exista, ele nunca me iria aceitar como eu sou, assim como a minha família, e por isso teria de viver a minha vida como se Ele não existisse e eventualmente isso permitiu-me ser mais livre, sentir-me melhor comigo própria. Mas é nestas alturas do Natal e da Páscoa onde me é impossível ignorar a desilusão que eu sou para a minha mãe (já nem falo no meu pai, porque não temos uma relação pai-filha). Estou a chorar há 2 horas e nem sei bem porquê, tenho demasiados pensamentos na minha cabeça. Tenho que sair de casa por este motivo: nunca serei aceite na minha família, nunca passarei da filha pecadora e da irmã que é uma freak.
Para o ano vou estar em Lisboa e vai-me custar mais que tudo deixar o meu cão para trás, mas sei que se continuasse aqui não ia aguentar e já prevejo o que vai acontecer: nunca vou ter vontade de voltar para casa, porque de facto esta não é o meu lar, o sítio onde me sinto bem comigo mesma, onde posso ser autêntica. (Na verdade, deve ser o sítio onde eu finjo mais ser aquilo que não sou).
Provavelmente nunca irei conseguir falar com a minha mãe sobre este assunto, daqui a uns anos irei simplesmente sair de casa definitivamente. Mas o que eu gostaria de dizer à minha família era isto:
Tenho pena que nunca tenham visto mais além, nunca me tentassem conhecer, saber o que penso. Na vossa ideia até podia parecer que estavam a tentar, mas os comentários que vocês iam fazendo num simples jantar ou discussão dos assuntos do quotidiano sempre me fizeram sentir pequena, que eu não pertencia ali. Mas apesar da minha baixa auto estima eu tenho noção que não sou má pessoa: sempre tento ajudar os outros, tento pôr toda a gente feliz, mesmo quando estou extremamente mal,  não sou  preconceituosa e acho que isso é o essencial. Mesmo que tivesse uma religião diferente ou divergisse de vocês a nível de ideias, gostava mesmo que vocês tivessem simplesmente aceite a pessoa que eu era, me dessem espaço e liberdade de escolha, me respeitassem (tal como eu vos respeitei a vocês) e principalmente que não me julgassem. Não, não fui a filha/irmã perfeita, mas eu nunca irei ser motivo de orgulho para vocês, não vou mudar a minha maneira de ser e mãe, eu sei que o teu Deus considera por exemplo o suicídio um pecado e que à partida já estaria condenada, mas o que eu sempre quis é que tu me aceitasses tal como eu era, independentemente das minhas escolhas e não estivesses sempre a me tentar "curar", a tentar reencarnar em mim a pequena Izzie, perfeitinha como tu querias.