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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

We live alone, we die alone. Everything else is just an ilusion. 
Por mais que tente ignorar as minhas dúvidas sobre a inexistência de um sentido para a vida, acabo sempre por ter momentos de lucidez em que me vejo novamente invadida por estes pensamentos sem resposta.
As pessoas que já se tentaram suicidar ou que estão deprimidas são muitas vezes olhadas como doidas, que não estão no seu estado normal. Mas eu olho à volta e vejo tantos motivos para as pessoas, tal como eu, estarem infelizes. Porque é que não o estão? Será que são felizes e conseguem acreditar naquelas mensagens de positividade na internet? Será que se agarram a alguma crença para que as suas vidas façam sentido? Será que algo os prende, mas no fundo desejam morrer? Ou será o próprio medo de morrer? Eu sinceramente não consigo compreender. E se eu sou a tola aqui, então nunca conseguirei ser normal, porque nunca vos vou conseguir compreender. Não que eu tenha pensamentos ativos de me suicidar, mas a vontade de não estar aqui está continuamente presente. Não consigo viver nesta inquietação de não saber se vai ou não valer a pena aguentar-me. Vejo-me constantemente invadida por momentos de tristeza, mas aparentemente estou melhor. Acho que desde que não me tente matar ou cortar, estou bem aos olhos da sociedade. Talvez seja assim que é suposto vivermos, aceitarmos a nossa tristeza. É assim que vives? 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Young and Beautifull (contém spoilers)

"Como não se é muito infeliz, esquece-se que não se é feliz"
O filme acompanha Isabelle, uma rapariga de 17 anos, aparentemente feliz. Proveniente de uma família abastada, esta encontra-se profundamente perdida. Assim, começa a ter encontros com diferentes homens como acompanhante de luxo. Não temos um acesso claro ao passado dela ou ao que a levou a esta decisão. Ela não tem qualquer prazer no ato e simplesmente guarda o dinheiro no armário. Eventualmente os pais descobrem da situação e a reação não é nada boa. Desde ser insultada, a ser obrigada a ver um psiquiatra, Isabelle vê a sua liberdade completamente vedada e a sua história completamente exposta perante a família e amigos de família. Julgada e não compreendida pela família, Isabelle mantém-se presente, mas sempre com um olhar distante.

É esta a história do filme. Não há propriamente uma razão para ela ter começado a ter este tipo de atividades. Sentia-se vazia, então tudo lhe parecia sem importância. Identifiquei-me bastante com a personagem e é um filme que aconselho, sem dúvida. Embora possa ter cenas consideradas chocantes, a mim não me custou nada entendê-la. Já me passou várias vezes pela cabeça este tipo de pensamentos (embora não acho que alguma vez fosse capaz de os passar à ação) Sei que é dificil de compreender e que se as pessoas eventualmente descobrissem me iriam rotular de puta, mas seria uma forma de obter dinheiro como outra qualquer a meu ver. Para mim o sexo apenas é especial, quando partilhado com alguém que amamos. Caso contrário, não passa de um ato banal, que pouco ou nada significa, e que pode ser usado para nos ajudar a escapar da realidade por breves momentos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

we are the kids our parents warned us about

Estou ansiosa para que chegue a universidade. Não pela vida académica, não pelas amizades. Simplesmente quero ter a liberdade de entrar num bar e apanhar uma bebedeira sem estar sozinha, quero poder ir para uma rua e conhecer random people, fumarmos juntos. Nem quero saber se as pessoas com quem vou estar esta ou aquela noite vão ser boas pessoas. Não estou à procura de amigos, estou simplesmente à procura de pessoas com quem me possa divertir, escapar da realidade por uma noite. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mensagens que tocam corações

Como é costume do povo português, temos sempre tendência para criticar tudo e todos. Eu pessoalmente não gosto muito de generalizar as coisas, cada um é um ser individual, podemos ser surpreendidos pela positiva se não estivermos já com "ideias feitas". 
Há uns dias estava no carro, distraída a olhar para a paisagem. Estava um bocado em baixo e eis que encontro esta mensagem num muro de uma casa abandonada, escrita com uma letra simples de uma lata preta "BORA LÁ SER FELIZ". Pode ser uma coisa banal, provavelmente muitas pessoas passam por aquele mesmo local indiferentes àquela mensagem, mas a mim, pessoalmente, tocou-me. Mudou a minha atitude naquele dia, pôs-me mais optimista a imaginar cenários sobre o meu futuro. Muitas vezes ainda dou por mim a pensar naquela mensagem, escrita por uma pessoa que não conheço e a quem não poderei agradecer e que provavelmente acha que esta sua mensagem foi insignificante.
Os grafites são um assunto polémico, sendo considerado um crime por ser considerado um desrespeito ao património das cidades. A minha opinião é que os grafites deviam ser permitido em certas zonas das cidades, desde que controlados. Afinal existem muitas zonas, principalmente nas cidades grandes onde existem casas estão abandonadas, murais vazios, etc. Porque não permitir o desenvolvimento de pinturas por parte dos jovens nesses locais, património da câmara que muitas vezes transmitem tristeza e desleixo por parte da câmara. Concordo que nem todos os grafites representam as melhores coisas, sendo alguns desapropriados, daí a necessidade de se controlar as mensagens e os locais de realização dos mesmos. 

Agora pensem comigo: não seria magnifico passar por cidades como o Porto e Lisboa e onde antes encontrávamos coisas abandonadas, encontrarmos mensagens positivas e pinturas que contagiam felicidade? 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

São gritos que penso, que calo assim

Hoje estive a falar quase o dia todo com a Sílvia (a rapariga que me incentivou a criar este blog) e acabamos por discutir vários assuntos e descobri nela uma pessoa com uma mentalidade muito mais aberta do que aquilo que eu pensava. Fomos de discutir o sentido da vida até assuntos como a homossexualidade, eutanásia e o poder da religião na sociedade. De entre destes assuntos polémicos acabou por vir à bala temas como o suicídio e a automutilação. Eu nem sabia onde me meter.. Se calhar eu devia explicar melhor: eu fui diagnosticada com um transtorno de personalidade, já estive internada mais que uma vez em psiquiatria e automutilação já o faço há um ano (embora menos frequente ultimamente). Ela disse me que não tinha opinião formada sobre a automutilação e a certa altura ela chegou mesmo a perguntar-me "porque é que achas que as pessoas se cortam?" (mal sabe ela que eu estou cheia de cortes nos braços- cicatrizes antigas do inicio do ano lectivo que eu pensei iriam desaparecer até ao verão, mas parece que não :s ). Eu tentei dar-lhe a opinião que já tinha antes de o fazer. Primeiro expliquei lhe a parte da psicologia, o porquê de nós termos estes comportamentos! Até fui buscar um quadro a explicar xD Queria mesmo que ela indirectamente me percebesse e que não me julgasse. No final perguntei-lhe o que achava agora que ela estava mais esclarecida sobre o assunto e ela disse-me que compreendia os motivos que levavam as pessoas que ter estes comportamentos, mas que talvez não fosse a melhor forma de lidar com as emoções negativas. De seguida, ela perguntou-me a minha opinião sobre o assunto e eu simplesmente lhe disse que concordava que não era a melhor solução, mas que mesmo assim as pessoas não deviam julgar ou olhar para alguém que se corta de uma forma diferente: continuam a ser as mesmas pessoas.
Quinta-feira vou ter uma visita de estudo. Estou a pensar em contar-lhe pessoalmente para ela não ser apanhada completamente de surpresa quando eu tiver de andar em manga curta. Durante a conversa passou-me pela cabeça que ela alguma vez tivesse visto os meus pulsos, mas pensando bem ela é bastante frontal e genuína, acho que ela me teria dito algo sobre o assunto. Arrependo-me imenso de me ter cortado em zonas visíveis (estava a passar uma fase bastante complicada, foi quando os meus pais descobriram e basicamente contaram a várias pessoas, incluindo o meu antigo grupo de amigos. Sentia que a minha vida estava arruinada e que já não tinha que esconder nada. Embora de vez em quando pensasse no verão, estava mesmo convicta que as cicatrizes não eram assim tão profundas a ponto de não desaparecerem num período de certa de 6 meses).
Tenho imenso medo de quando chegar a época do calor intenso, não vou saber enfrentar a minha turma (porque eu sou sempre a miúda alegre que conta piadas- o palhaço da turma basicamente) e também a minha família (mesmo que não gostem muito da minha personalidade atual, eu já fui pequena. Quando olho para as minhas fotos de criança, sinto-me extremamente culpada. É essa a imagem que os meus pais ainda preservam de mim apesar de tudo, a filha que criaram desde pequena e que por alguma razão se perdeu a ponto de se tentar suicidar. Ainda por cima como têm uma mentalidade extremamente fechada,sinto que não passo de uma desilusão e de algo que os ultrapassa, pois não me conseguem compreender- não que me tratem mal, simplesmente não me compreendem.)
Eu sinceramente já só quero que o verão chegue por um lado, porque esta ansiedade toda sobre a possível reação das pessoas está a deixar-me doida...