Hoje tive uma sessão com a minha psiquiatra e um dos assuntos abordados foram as notas. As minhas notas desceram às disciplinas de estudo(o que já era previsto devido à turbulência presente na minha vida pessoal neste período), excepto Português (que tenho facilidade e gosto, principalmente a parte de poesia, que me fascina pelo facto de me conseguir identificar muitas vezes). A certa altura ela disse-me "Essa sua facilidade a Português provavelmente provém do seu nível de maturidade" e isso fez-me sentir feliz, nem consegui evitar não sorrir.
Ela é simpática e gosto dela. No entanto, acho que ainda não ocorreu aquele 'click' que houve com a minha psicóloga. Sinto-me desconfortável por vezes, demasiado observada e sinto-me bastante insegura sobre o que ela pensa de mim, mas nunca tenho coragem para perguntar. O facto de ela me ter dado este elogio de uma forma não forçada, fez-me pensar que se calhar ela tem uma boa ideia de mim e isso deixou-me aliviada, feliz. Sei que não é propriamente uma relação de amizade, mas é uma pessoa com quem já partilhei muitas coisas e que preciso de me sentir minimamente confortável para conseguir partilhar mais de modo a ela me conseguir ajudar.
Agora estava a pensar que toda a gente olha para a maturidade como uma virtude, mas a verdade é que também tem algumas desvantagens. Por exemplo, eu acho que sou uma pessoa muito melhor do que o que eu era há 5 anos atrás: mais humana, com uma mentalidade mais aberta e em parte teve a ver com a minha religião. Eu passei de uma educação católica antiquada, com uma mentalidade fechada para passar a ser agnóstica e isso foi uma mudança que me marcou muito na adolescência e se refletiu quer na minha forma de pensar, quer nos meus comportamentos. Se por um lado essa mudança me faz sentir melhor comigo própria sobre os meus valores, por outro leva-me muitas vezes a ter estes sentimentos de vazio por não ver qualquer significado para a vida. A única coisa boa de ter uma religião é essa crença de que fomos criados por uma razão e que mesmo que estejámos a passar por um momento mau da vida, existe sempre alguém que te ama (a não ser que sejas gay, etc. desculpem não consegui resistir). A segurança de saber o que acontece depois da morte. São questões sobre as quais reflito muitas vezes e que não teria essa necessidade se não tivesse crescido, a tal maturidade que me levou questionar tudo e todos.
Não queria voltar à minha forma de ser de há 5 anos, simplesmente queria partilhar estes pensamentos. E tu? Como eras há 5 anos? O que mudou? Estás orgulhosa do que te tornaste?